Sobre crises de choro aleatorias (ou não)

Sempre fui uma pessoa emotiva. Sempre. Sempre demonstrei ser uma pessoa fria, dura, aquela coisa de “sem coração”, mas na verdade foi uma proteção que fiz já que sou muito emotiva.

Não quero ser mãe. Não quero filhos. Nem posso ter filhos e vocês sabem o motivo né. Hoje assisti Juno depois de uma década e chorei. Chorei muito. Chorei por não ver possibilidade de ser mãe, pela pessoa que estou não querer ter filhos e devido à isso não terei filhos loiros de olhos azuis. Poxa, eu quero filhos loiros de olhos azuis 💔

Não é TPM já que não estou no meu período. Rezo pra ser falta de TSH já que vi que deu ruim no último hemograma. Rezo pra ser isso e não uma crise a essa altura do campeonato sobre filhos. Eu realmente não me sinto preparada pra isso nem psicologicamente e muito menos financeiramente. Na verdade eu nem nasci com o dom de ser mãe, não tenho aquele instinto materno que faz as mulheres quererem ser mães desde cedo.

O ponto é: chorei e chorei muito assistindo o filme. Em outro momento jamais choraria já que o assunto do filme não me interessa.

Ultimamente tenho me sentindo cada dia pior. Meu humor tá oscilando mais que o normal e tenho que me segurar pra não chorar por qualquer motivo bobo.

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Sobre engordar: felicidade versus medo

Essa semana me pesei na academia e vi que já estou com 50kg. Acho que sou uma das poucas pessoas na academia que fica feliz quando sobe na balança e percebe que engordou.

1,61 de altura e com 50kg. IMC de 19,1. Finalmente estou com meu IMC regulado e estou dentro do padrão de peso para meu corpo, mas eu quero mais, acho que mais 3kg e vou ficar do jeito que espero.

Daí vem o medo. A meta era chegar em 50kg em 3 meses e já cheguei nesse peso em menos de 2 meses. Medo de estar engordando rápido demais. Medo de seguir nesse caminho e não conseguir parar de engordar. Ao mesmo tempo eu tenho medo de tudo desandar e eu emagrecer bruscamente de novo.

Apesar de ter plano de saúde, estou na luta novamente para marcar retorno com o endócrino. Ansiosa pelos resultados dos meus exames, mas é aquela ansiedade de medo pelo desconhecido. Medo de todas as taxas continuarem reguladas e o médico querer iniciar tratamento com iodo. Medo do tratamento com iodo. Medo também do resultado dizer que está tudo desregulado. De novo.

Há dias bons e dias péssimos

Essa semana foi complicada. Altos e baixos. Bem difícil.

Foi no meio de um turbilhão de coisas acontecendo que resolvi criar esse blog. No dia seguinte já havia desistido. Hoje eu vi que apesar de tudo as coisas podem melhorar na semana que vem e resolvi manter o blog. Bizarro né? Essa indecisão e mudança de humor/ideia constante, enfim.

Comecei a dieta no final de semana, sim, no final de semana. Dieta para reeducar minha alimentação e posteriormente migrar para uma dieta que engorde apesar de ver que to engordando e não quero mais dieta.

Reclamei com meu instrutor da academia que estou me sentindo extremamente cansada, morta, exausta, me sinto como se passasse o dia puxando palets e meu corpo fica todo moído. É a dieta. Meu corpo ainda está se adaptando à nova alimentação e isso tem consequência, maaaaas tenho que esperar até me acostumar e melhorar meu ritmo.

O cansaço extremo me deixou muito irritada e senti que o tremor nas mãos piorou. Tudo caiu da minha essa semana. Meu vidro de Yamasterol caiu e quebrou e espalhou creme na cozinha. Fiquei com ódio e uma vontade enorme de chorar e de quebrar alguma coisa ou bater pra ver se o ódio passava. Fui dormir tão cansada que nem lembrava mais que havia me estressado.

Essa semana também  me bateu a bad. Fiquei mal pelas passagens áreas estarem caríssimas e isso comprometer minhas férias. Mal pelo meu cabelo e unhas que continuam quebradiços e meio que sem vida. Fiquei mal porque quero muito engordar, muito mesmo, e consegui engordar 4kg em 1 mês e achei rápido demais. Rápido demais. Demais. Já quero que chegue a próxima consulta para ver se há necessidade de diminuir a dose do Tapazol porque não quero engordar tão rápido. Medo de entrar no quadro de hipo. Quase chorei quando me vi no espelho e vi uma barriga saliente. Quero engordar, mas não quero ficar gorda. Tem lógica isso? Quase chorei de preocupação, pois me olhava no espelho e me sentia horrível de tão magra e essa semana me olhei e me senti horrível de gorda e sei que não estou gorda, só o quadril e barriga que aumentaram, mas isso me preocupou, não o fato de engordar, mas o fato de ter me achado gorda, medo de estar desenvolvendo algum distúrbio. Estou culpando a TPM. Espero que semana que vem eu desinche e pare com essas paranoias.

Ontem estabeleci a meta: chegar nos 3 meses de academia + dieta + Tapazol e ver como meu corpo estará. Se eu tiver engordando mais do que estabeleci pra mim vou pedir para mudarem meus exercícios físicos e ver com o endocrinologista uma possibilidade de diminuir a dose do remédio. Espero manter essa linha de pensamento e não surtar por cada grama que estou engordando.

Os sintomas de Hipertireoidismo

Quando descobri que tinha hiper eu tratei de ler na internet todos os artigos possíveis e existente sobre isso. Culpei a hipocondria, mas todos devem ter feito isso né? Ora, nunca tinha ouvido falar nisso… é normal sair pesquisando e ficando louca sem necessidade…

Porque ficando louca sem necessidade? Os sites que li na época colocaram os sintomas gerais da coisa e na minha cabeça eu entendia que ia ter todos aqueles sintomas. Demorei para entender que cada pessoa reage de uma maneira diferente ao hiper. Demorei também para entender sobre o hipo… as vezes bate a loucura e acho que tenho hipotireoidismo e que estou sendo tratada erroneamente (mais lá pra frente explico qual o motivo que me faz achar isso).

Enfim, irei listar os principais sintomas que achamos na internet:

  • Aumento do volume da tireoide, chamado de bócio (Tenho, foi assim que descobri)
  • Excesso de suor, mesmo em locais não tão quentes. (Nunca fui uma pessoa de suar, então até hoje fico nervosa com isso, pois nunquinha na vida escorreu uma lágrima de suor mesmo nos dias de calor de 40 graus)
  • Intolerância ao calor. (Não, não tenho intolerância ao calor, mas sei dizer quando está bem quente. Tenho intolerância ao frio, odeio o frio, não suporto o frio bem antes do hiper. Culpo a falta de tecido adiposo já que sempre fui magra a vida toda e sempre sofri com o frio)
  • Fraqueza das unhas. (Morte horrível para mim que sempre amei unhas bonitas e compridas)
  • Coceira generalizada. (Comecei a desenvolver em meados de 2015. Assim, do nada. Coceira do cão que machuca ficando com pontinhos de sangue)
  • Pele ruborizada e úmida. (Um pouco nas bochechas, meus vasos sanguíneos dessa área ficaram super mega blaster visíveis. Obrigada maquiagem.)
  • Cabelos mais finos e fracos. (Mais uma morte horrível para meu caderninho de reclamações)
  • Fraqueza muscular. (Sim)
  • Proptose ocular (olhos esbugalhados). (Graças à Deus não. Deus é mais e rezo para nunca ter os olhos assim)
  • Palpitações e arritmias cardíacas, principalmente fibrilação atrial. (Sofri com palpitações e tomei beta-bloqueador)
  • Colesterol baixo, principalmente o colesterol HDL. (Fiquei tão feliz quando ouvi isso do médico… comendo porcaria e tendo colesterol baixo? Tristeza foi saber que não é tão bom assim…)
  • Hipertensão. (Não)
  • Aumento da glicose no sangue. (Se eu te contar que nunca reparei?)
  • Baqueteamento digital (alargamento das pontas dos dedos). (Também não)
  • Cansaço durante esforços. (Sempre fui sedentária e isso já faz parte de mim)
  • Alterações da menstruação. (Meu ciclo nunca foi regular. Nunca. Então tomo anticoncepcional para regular bem antes da hiper aparecer)
  • Diarreia. (Esse é um daqueles sintomas que você tem dúvida se é culpa da doença ou se comeu algo estragado…)
  • Anemia. (Sempre tive desde criança).
  • Aumento do volume diário de urina. (Sim, mesmo quando não bebo líquido)
  • Perda de peso. (Definitivamente sim)
  • Aumento da sede e da fome. (Sim, sim e SIM)
  • Osteoporose.  (Não sou capaz de opinar já que sempre tive problema com cálcio desde pequena)
  • Irritabilidade e ansiedade. (Credo em cruz, mas sim. Terrível)
  • Depressão. (Tive no início da doença ou tive quando era saudável? Difícil distinguir)
  • Amnésia. (Amnésia não, mas dificuldade em lembrar de algumas coisas sim)
  • Insônia. (Sofri demais no início. Voltei a sofrer no final de 2016)
  • Dificuldade de concentração. (Infelizmente sim)
  • Tremores das mãos. (Infelizmente sim… e eu achava que as coisas caiam das minhas mãos por ser estabanada…)

Fonte: http://www.mdsaude.com/2009/02/doencas-sintomas-tireoide.html

Agora foco no que vou dizer: hipertireoidismo é devido a alteração na produção de hormônio, certo? Certo. Uma coisa que nenhum médico e nenhum artigo do Google me explicou na época é que eu ia virar uma bomba neurótica e nervosa ambulante. Sim. Às vezes sinto que irei explodir a qualquer momento. É uma confusão de sentimentos e pensamentos e humor. Ah o humor, essa merda varia o tempo todo. Sério. Cheguei a pensar que era bipolar. Nem minha mãe me aguenta. Demorei para entender quando sou eu ou quando é hiper. Demorei para ver a racionalidade no meu momento irracional. Às vezes só percebo que é hiper depois de chorar horrores por nada ou depois de virar o the monio e gritar com todos assim, do nada, sem motivo, e da mesma forma voltar ao meu ~normal~ na mesma proporção e rapidez. E a insegurança? E o medo? E a indecisão? Céus, como sou indecisa. Eu tento não ser assim, faço de tudo, mas não consigo, é mais forte que eu. Mudo de opinião na velocidade da luz, ops, na velocidade do meu humor. Tudo depende do meu humor. E tá difícil fazer ele ficar estável, principalmente agora na TPM… pior período é a TPM. Brigo com todo mundo e choro por isso, do nada, sem motivo. E ah, chorar é bom, chorar faz bem, eu não engulo choro não, eu choro mesmo, por tudo, em qualquer lugar, nem tenho mais vergonha. É como diz um trecho da música do Leoni:

Caio em prantos na rua e nem ligo, me acostumei com vexame…

Hehehe, é assim mesmo. Desse jeitinho louco que vou tentando viver. Que vou tentando fazer com que as pessoas próximas à mim me entendam e não desistam de mim. Porque se nem eu me aguento, por quê as pessoas têm que me aguentar? Difícil.

Quando descobri que tinha Hipertireoidismo

Tive um rompimento amoroso. Tinha 22 anos e amava o cara desde meus 15~16 anos. Doeu. Perdi o apetite. Emagreci. Fiquei com humor alterado. Menstruação nunca foi regular mesmo. Entrei no quadro clínico depressivo. Até aí tudo bem. Normal, né? São as etapas que nós, em especial as mulheres, passamos no pós término de um relacionamento especial e blá-blá-blá.

A primeira pessoa a perceber que tinha algo errado foi minha mãe. Em uma manhã de Setembro de 2013 ela estava sentada à minha frente tomando café e percebeu que meu pescoço estava diferente. Olhei no espelho e não vi nada. A cada dia ela dizia que tinha algo estranho e que deveria procurar um médico. Pff, logo eu, a rainha da automedicação, a rainha do “odeio médico”, a rainha do “só vou ao médico se estiver morrendo”. Uma semana depois fui direto pra emergência da Unimed (meu plano de saúde na época) com um “caroço” na garganta. Emergência no domingo só tinha uma especialidade plausível: otorrinolaringologista. Claro né, garganta e otorrino é tudo igual. Quando ele viu fez os exames de toque e questionou inúmeras vezes se eu sentia dor e eu me irritando, pois a resposta até hoje é: não, não sinto dor no bócio. Fez ultrassom e disse algo como “tem muito líquido, por isso não sente dor, você tem sorte” e em seguida me encaminhou para um endocrinologista com urgência.

Marcar consulta com  médico na Unimed é que sem SUS: demora, demora, demora muito, principalmente se a especialidade for Endocrinologista. Conseguir marcar em menos de um mês (ô glória). Médico velhinho, simpático. Consultório com a mulher dele mandando em tudo, mesma chatice de sempre. Conversamos um pouco sobre o motivo de estar ali e ele solicitou os exames de sangue para verificar os níveis de T3, T4 e TSH, aquela coisa básica que temos que fazer de 2 em 2 ou de 3 em 3 meses. Resultado: hipertireoidismo. Causa: provavelmente estresse, emocional, psicológico. Não há casos na família. Provavelmente foi o idiota do meu ex que causou tudo isso quando teve a brilhante ideia de terminar. Foi a melhor ideia que ele teve, de verdade, não fomos feito para ficarmos juntos e muito menos sermos amigos, mas ainda assim, se nunca tivesse terminado eu não teria desencadeado hiper, ou talvez teria, afinal, nada é para sempre né. Só o distúrbio na tireoide. Isso sim é para sempre ou até que a morte nos separe.

Como todo bom médico de plano particular (talvez SUS seja assim, desconheço): não me explicou o suficiente e só passou medicação (Propiltiouracil, não me perguntem a dose, não lembro) e pediu pra voltar com 3 meses com novos exames de sangue. Como toda boa hipocondríaca que se preze: fui pesquisar no Pai Google. Isso foi em Setembro de 2013. Hoje estamos em Fevereiro de 2017 e a cada dia aprendo mais sobre a doença e os efeitos colaterais. A cada dia tenho mais dúvidas sobre minha medicação e sobre as opções de tratamento que ouvi. A cada dia quero mudar novamente de médico (estou no 5°). A cada dia é tudo diferente, tudo novidade.

Tentando Ficar Zen

Tenho 25 anos e descobri hipertireoidismo aos 22. Tenho TAG. Sou hipocondríaca. Sou leonina.

Percebi que as pessoas ao meu redor não me aguentam mais. Eu. não. calo. a. boca. um. minuto. Às vezes calo por dias e todo mundo estranha e eu não tenho paciência para explicar o motivo de ficar calada. Simplesmente não tem motivo.

Na internet é tudo muito genérico sobre os sintomas. Esses dias achei um blog/relato de uma moça com hipertireoidismo com Graves. Foi quando percebi que ela usou o blog para poder se expressar melhor sobre o que sente, além de tentar entender os sintomas da doença. Vi que talvez seja isso que eu precise já que as pessoas próximas à mim ou estão saturadas ou acham que exagero tudo. Nem todo mundo consegue realmente entender a confusão de pensamentos, sentimentos e humor que passamos ao longo do período de um dia. Só quem sofre com hipertiroidismo é quem sabe da dificuldade que temos, da barra que é enfrentar um dia de cada de vez, a barra que é ter que acordar e sair da cama, a barra que é ter que viver e conviver com outros seres humanos.

No futuro eu espero que meus relatos ajudem outras pessoas a entenderem toda essa confusão ambulante que somos e que no fundo basta respirar fundo e tentar ficar zen e rezar para tudo se encaixar e conseguirmos levar uma vida sem mais complicações.