Sobre engordar: felicidade versus medo

Essa semana me pesei na academia e vi que já estou com 50kg. Acho que sou uma das poucas pessoas na academia que fica feliz quando sobe na balança e percebe que engordou.

1,61 de altura e com 50kg. IMC de 19,1. Finalmente estou com meu IMC regulado e estou dentro do padrão de peso para meu corpo, mas eu quero mais, acho que mais 3kg e vou ficar do jeito que espero.

Daí vem o medo. A meta era chegar em 50kg em 3 meses e já cheguei nesse peso em menos de 2 meses. Medo de estar engordando rápido demais. Medo de seguir nesse caminho e não conseguir parar de engordar. Ao mesmo tempo eu tenho medo de tudo desandar e eu emagrecer bruscamente de novo.

Apesar de ter plano de saúde, estou na luta novamente para marcar retorno com o endócrino. Ansiosa pelos resultados dos meus exames, mas é aquela ansiedade de medo pelo desconhecido. Medo de todas as taxas continuarem reguladas e o médico querer iniciar tratamento com iodo. Medo do tratamento com iodo. Medo também do resultado dizer que está tudo desregulado. De novo.

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Quando descobri que tinha Hipertireoidismo

Tive um rompimento amoroso. Tinha 22 anos e amava o cara desde meus 15~16 anos. Doeu. Perdi o apetite. Emagreci. Fiquei com humor alterado. Menstruação nunca foi regular mesmo. Entrei no quadro clínico depressivo. Até aí tudo bem. Normal, né? São as etapas que nós, em especial as mulheres, passamos no pós término de um relacionamento especial e blá-blá-blá.

A primeira pessoa a perceber que tinha algo errado foi minha mãe. Em uma manhã de Setembro de 2013 ela estava sentada à minha frente tomando café e percebeu que meu pescoço estava diferente. Olhei no espelho e não vi nada. A cada dia ela dizia que tinha algo estranho e que deveria procurar um médico. Pff, logo eu, a rainha da automedicação, a rainha do “odeio médico”, a rainha do “só vou ao médico se estiver morrendo”. Uma semana depois fui direto pra emergência da Unimed (meu plano de saúde na época) com um “caroço” na garganta. Emergência no domingo só tinha uma especialidade plausível: otorrinolaringologista. Claro né, garganta e otorrino é tudo igual. Quando ele viu fez os exames de toque e questionou inúmeras vezes se eu sentia dor e eu me irritando, pois a resposta até hoje é: não, não sinto dor no bócio. Fez ultrassom e disse algo como “tem muito líquido, por isso não sente dor, você tem sorte” e em seguida me encaminhou para um endocrinologista com urgência.

Marcar consulta com  médico na Unimed é que sem SUS: demora, demora, demora muito, principalmente se a especialidade for Endocrinologista. Conseguir marcar em menos de um mês (ô glória). Médico velhinho, simpático. Consultório com a mulher dele mandando em tudo, mesma chatice de sempre. Conversamos um pouco sobre o motivo de estar ali e ele solicitou os exames de sangue para verificar os níveis de T3, T4 e TSH, aquela coisa básica que temos que fazer de 2 em 2 ou de 3 em 3 meses. Resultado: hipertireoidismo. Causa: provavelmente estresse, emocional, psicológico. Não há casos na família. Provavelmente foi o idiota do meu ex que causou tudo isso quando teve a brilhante ideia de terminar. Foi a melhor ideia que ele teve, de verdade, não fomos feito para ficarmos juntos e muito menos sermos amigos, mas ainda assim, se nunca tivesse terminado eu não teria desencadeado hiper, ou talvez teria, afinal, nada é para sempre né. Só o distúrbio na tireoide. Isso sim é para sempre ou até que a morte nos separe.

Como todo bom médico de plano particular (talvez SUS seja assim, desconheço): não me explicou o suficiente e só passou medicação (Propiltiouracil, não me perguntem a dose, não lembro) e pediu pra voltar com 3 meses com novos exames de sangue. Como toda boa hipocondríaca que se preze: fui pesquisar no Pai Google. Isso foi em Setembro de 2013. Hoje estamos em Fevereiro de 2017 e a cada dia aprendo mais sobre a doença e os efeitos colaterais. A cada dia tenho mais dúvidas sobre minha medicação e sobre as opções de tratamento que ouvi. A cada dia quero mudar novamente de médico (estou no 5°). A cada dia é tudo diferente, tudo novidade.