Sobre engordar: felicidade versus medo

Essa semana me pesei na academia e vi que já estou com 50kg. Acho que sou uma das poucas pessoas na academia que fica feliz quando sobe na balança e percebe que engordou.

1,61 de altura e com 50kg. IMC de 19,1. Finalmente estou com meu IMC regulado e estou dentro do padrão de peso para meu corpo, mas eu quero mais, acho que mais 3kg e vou ficar do jeito que espero.

Daí vem o medo. A meta era chegar em 50kg em 3 meses e já cheguei nesse peso em menos de 2 meses. Medo de estar engordando rápido demais. Medo de seguir nesse caminho e não conseguir parar de engordar. Ao mesmo tempo eu tenho medo de tudo desandar e eu emagrecer bruscamente de novo.

Apesar de ter plano de saúde, estou na luta novamente para marcar retorno com o endócrino. Ansiosa pelos resultados dos meus exames, mas é aquela ansiedade de medo pelo desconhecido. Medo de todas as taxas continuarem reguladas e o médico querer iniciar tratamento com iodo. Medo do tratamento com iodo. Medo também do resultado dizer que está tudo desregulado. De novo.

Há dias bons e dias péssimos

Essa semana foi complicada. Altos e baixos. Bem difícil.

Foi no meio de um turbilhão de coisas acontecendo que resolvi criar esse blog. No dia seguinte já havia desistido. Hoje eu vi que apesar de tudo as coisas podem melhorar na semana que vem e resolvi manter o blog. Bizarro né? Essa indecisão e mudança de humor/ideia constante, enfim.

Comecei a dieta no final de semana, sim, no final de semana. Dieta para reeducar minha alimentação e posteriormente migrar para uma dieta que engorde apesar de ver que to engordando e não quero mais dieta.

Reclamei com meu instrutor da academia que estou me sentindo extremamente cansada, morta, exausta, me sinto como se passasse o dia puxando palets e meu corpo fica todo moído. É a dieta. Meu corpo ainda está se adaptando à nova alimentação e isso tem consequência, maaaaas tenho que esperar até me acostumar e melhorar meu ritmo.

O cansaço extremo me deixou muito irritada e senti que o tremor nas mãos piorou. Tudo caiu da minha essa semana. Meu vidro de Yamasterol caiu e quebrou e espalhou creme na cozinha. Fiquei com ódio e uma vontade enorme de chorar e de quebrar alguma coisa ou bater pra ver se o ódio passava. Fui dormir tão cansada que nem lembrava mais que havia me estressado.

Essa semana também  me bateu a bad. Fiquei mal pelas passagens áreas estarem caríssimas e isso comprometer minhas férias. Mal pelo meu cabelo e unhas que continuam quebradiços e meio que sem vida. Fiquei mal porque quero muito engordar, muito mesmo, e consegui engordar 4kg em 1 mês e achei rápido demais. Rápido demais. Demais. Já quero que chegue a próxima consulta para ver se há necessidade de diminuir a dose do Tapazol porque não quero engordar tão rápido. Medo de entrar no quadro de hipo. Quase chorei quando me vi no espelho e vi uma barriga saliente. Quero engordar, mas não quero ficar gorda. Tem lógica isso? Quase chorei de preocupação, pois me olhava no espelho e me sentia horrível de tão magra e essa semana me olhei e me senti horrível de gorda e sei que não estou gorda, só o quadril e barriga que aumentaram, mas isso me preocupou, não o fato de engordar, mas o fato de ter me achado gorda, medo de estar desenvolvendo algum distúrbio. Estou culpando a TPM. Espero que semana que vem eu desinche e pare com essas paranoias.

Ontem estabeleci a meta: chegar nos 3 meses de academia + dieta + Tapazol e ver como meu corpo estará. Se eu tiver engordando mais do que estabeleci pra mim vou pedir para mudarem meus exercícios físicos e ver com o endocrinologista uma possibilidade de diminuir a dose do remédio. Espero manter essa linha de pensamento e não surtar por cada grama que estou engordando.

Quando descobri que tinha Hipertireoidismo

Tive um rompimento amoroso. Tinha 22 anos e amava o cara desde meus 15~16 anos. Doeu. Perdi o apetite. Emagreci. Fiquei com humor alterado. Menstruação nunca foi regular mesmo. Entrei no quadro clínico depressivo. Até aí tudo bem. Normal, né? São as etapas que nós, em especial as mulheres, passamos no pós término de um relacionamento especial e blá-blá-blá.

A primeira pessoa a perceber que tinha algo errado foi minha mãe. Em uma manhã de Setembro de 2013 ela estava sentada à minha frente tomando café e percebeu que meu pescoço estava diferente. Olhei no espelho e não vi nada. A cada dia ela dizia que tinha algo estranho e que deveria procurar um médico. Pff, logo eu, a rainha da automedicação, a rainha do “odeio médico”, a rainha do “só vou ao médico se estiver morrendo”. Uma semana depois fui direto pra emergência da Unimed (meu plano de saúde na época) com um “caroço” na garganta. Emergência no domingo só tinha uma especialidade plausível: otorrinolaringologista. Claro né, garganta e otorrino é tudo igual. Quando ele viu fez os exames de toque e questionou inúmeras vezes se eu sentia dor e eu me irritando, pois a resposta até hoje é: não, não sinto dor no bócio. Fez ultrassom e disse algo como “tem muito líquido, por isso não sente dor, você tem sorte” e em seguida me encaminhou para um endocrinologista com urgência.

Marcar consulta com  médico na Unimed é que sem SUS: demora, demora, demora muito, principalmente se a especialidade for Endocrinologista. Conseguir marcar em menos de um mês (ô glória). Médico velhinho, simpático. Consultório com a mulher dele mandando em tudo, mesma chatice de sempre. Conversamos um pouco sobre o motivo de estar ali e ele solicitou os exames de sangue para verificar os níveis de T3, T4 e TSH, aquela coisa básica que temos que fazer de 2 em 2 ou de 3 em 3 meses. Resultado: hipertireoidismo. Causa: provavelmente estresse, emocional, psicológico. Não há casos na família. Provavelmente foi o idiota do meu ex que causou tudo isso quando teve a brilhante ideia de terminar. Foi a melhor ideia que ele teve, de verdade, não fomos feito para ficarmos juntos e muito menos sermos amigos, mas ainda assim, se nunca tivesse terminado eu não teria desencadeado hiper, ou talvez teria, afinal, nada é para sempre né. Só o distúrbio na tireoide. Isso sim é para sempre ou até que a morte nos separe.

Como todo bom médico de plano particular (talvez SUS seja assim, desconheço): não me explicou o suficiente e só passou medicação (Propiltiouracil, não me perguntem a dose, não lembro) e pediu pra voltar com 3 meses com novos exames de sangue. Como toda boa hipocondríaca que se preze: fui pesquisar no Pai Google. Isso foi em Setembro de 2013. Hoje estamos em Fevereiro de 2017 e a cada dia aprendo mais sobre a doença e os efeitos colaterais. A cada dia tenho mais dúvidas sobre minha medicação e sobre as opções de tratamento que ouvi. A cada dia quero mudar novamente de médico (estou no 5°). A cada dia é tudo diferente, tudo novidade.